quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Conto - Ever e Damen.


A noite chuvosa e fria, fez com que grandes gotas se chocassem contra o vidro da janela do quarto de Ever. O vento é tão forte que o uivo que soa entre as frestas de madeira chega a ser amedrontador, mas não era esse motivo pelo qual Ever não conseguia dormir.
Ela estava pensando naquela manhã:
O dia cinzento indicava que haveria tempestade durante a noite.
Ever subia com dificuldade uma das grandes ladeiras de Salvador, achava que nunca antes houve um tempo tão irregular e frio como naquele inverno de 1960.
Quando chegou ao topo, já exausta se deparou com um rapaz. Os olhares se encontraram. Ever notou a beleza dele em seus olhos intensos e seu olhar profundo.
Por um segundo não houve mais nada ao seu redor, foi como se tudo escurecesse e só estivessem os dois, frente a frente. Dois estranhos, que compartilhavam o mesmo sentimento. Seus olhares diziam que já se conheciam. Ever perdeu o rumo, seu coração bateu mais forte só com a presença dele e quando conseguiu ter o domínio de seu corpo seguiu seu caminho, mas no restante do dia era só nele que pensava.
Ever se virou na cama, ainda relembrando aquele momento.
Queria saber por que aquele rapaz não saia da sua cabeça. Percebeu que as gotas da chuva caiam com menos intensidade. Foi até a janela de seu quarto. Por um espaço entre as árvores viu uma movimentação, um contorno de um corpo conhecido.
Esfregou seus olhos para confirmar se viu certo. Jurava tê-lo visto olhando para sua janela. Balançou a cabeça tentando afastar aquele pensamento. Não queria ter esperanças, mas a sensação que ele estivera ali era muito grande.
Ever desceu as escadas de sua casa e saiu pela porta da frente, precisava de uma confirmação que não foi sua mente pregando uma peça
Ao olhar para fora um sorriso se esboçou em seu rosto.
Seu coração bateu mais forte, e Ever, pela primeira vez, sentiu borboletas no estomago.
Ele não estava lá. Mas, no chão em frente a porta de entrada Ever viu uma Tulipa e um papel preso a ela escrito: “Prazer, eu sou Damen”

Camila Lemos

Os imortais - Conto.

Há uns dias atrás houve uma promoção no blog da editora intrínseca. A proposta era escrever um conto. Os autores dos cincos melhores levariam dois livros da Alyson Noel autografados para casa.
Como o resultado já foi divulgado, vou mostrar para vocês o meu conto:


"Ever estava escondida em uma grande casa abandonada. A noite estava escura e fria, o ar úmido enchia seus pulmões. Do lado de fora, nas ruas em ruínas ela ouviu passos. Pessoas marchando. Ever fechou os olhos e torceu para que ninguém a encontrasse.
Salvador, 1624. Poucos dias atrás houve a invasão holandesa pela cidade. Todos os moradores fugiram em pânico. Ever e sua família saíram apressados para o interior da cidade. Após dois dias de caminhada, Ever lembrou-se que deixou para trás o remédio que sua mãe, com a saúde frágil, precisa tomar diariamente. Mesmo com os alertas dos pais, não pensou duas vezes e voltou escondida para buscá-lo.
E agora, abaixada em silêncio e com o remédio em sua mão estava saindo da cidade e esperava não ser pega.
Quando a rua voltou a ficar silenciosa saiu apressadamente pela porta e correu em direção oposta à cidade destruída. O terreno irregular a fez tropeçar várias vezes. O cansaço tomou conta de si e antes de virar em outra rua escura, Ever encostou-se a um muro alto e retomou o fôlego.
Alguns metros a sua frente viu três homens altos uniformizados conversando entre si. Ever sabia que, se não encontrasse um lugar para se esconder, eles a encontrariam.
Olhou aflita para os lados. Subitamente, uma mão desconhecida a puxou para trás e a empurrou para uma fresta estreita entre o muro e uma casa. Seu coração pulou no peito achando que tinha sido pega. Olhou para frente e viu um rapaz lindo com olhar preocupado.
O espaço reduzido fez com que os dois ficassem próximos.
- Silêncio – ele sussurrou
Ever prendeu a respiração ao perceber que, os homens estavam passando próximos a eles
Quando não havia mais sinal de perigo Even, ainda perplexa, perguntou
- Quem é você?
- Sou Damen – disse segurando sua mão e a conduzindo rápido pelas ruas – Venha. Vou te ajudar a sair da cidade.
Ever pela primeira vez sentiu-se segura. Não falou nada, apenas concordou com a cabeça. De certa forma, sabia que ela e Damen ainda teriam muito tempo para se conhecer."

Escrevi mais dois outros contos, mais tarde posto aqui. :)
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